Suicídio na adolescência

Setembro é um mês dedicado à prevenção ao suicídio, trata-se de uma campanha de valorização à vida, iniciada em 2015. A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. O suicídio é causa também da morte de 800 mil pessoas por ano no mundo, já é a terceira causa de morte em adolescentes nos EUA e a segunda na Europa. No Brasil, os índices também crescem assustadoramente. Dados do Mapa da Violência de 2017 mostram que, em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 – um aumento de quase 10%.

É um tema espinhoso, mantido ainda entre “quatro paredes” por preconceitos, tabus, estigmas sociais… mas que “grita aos nossos ouvidos” e precisa ser tratado nos espaços públicos e privados para um maior conhecimento e conscientização de todos. A educação básica precisa trazer este tema à sala de aula, pois os adolescentes e jovens estão se deparando com esse sofrimento muito mais perto do que se imaginamos e, na maioria das vezes, não sabe o que fazer ou tenta de distanciar da questão, sem sucesso.

Prevenção:

Em junho deste ano, realizamos rodas de conversa com os alunos da 3ª série do Ensino Médio sobre depressão, suicídio e outras formas de sofrimento na adolescência. Reunimos grupos de 20 a 25 alunos que conversaram com psicólogos sobre suas angústias e aflições numa troca intensa e profunda de certezas e incertezas, possibilidades e impossibilidades, coragens e medos… Alguns alunos registraram suas impressões sobre este momento, o que nos reafirmou a importância e a necessidade de momentos de autoconhecimento, de falar de si e de reflexões sobre medos e angústias com os nossos adolescentes – “percebi que não sou o único com problemas e que meus amigos precisam de minha atenção sobre diversas coisas importantes que eu não dava atenção.”, “foi muito bom, permitiu ao aluno se expressar”, “muito reflexiva, me fez pensar sobre minha condição interna”, “obrigada por nos ajudar, o terceiro ano é um ano difícil e estávamos precisando disso!”, “confortante, o bate-papo ajudou a refletir sobre nossas situações”, “foi muito bom ter momentos como este para entendermos mais sobre o assunto e sabermos como lidar com as situações difíceis no meio familiar para evitarmos consequências infelizes”.

Falar e escutar:

Os adolescentes querem e precisam de espaços para falar de si, do seu contexto social (familiar, escolar…) e apresentar suas narrativas de vida, principalmente sobre conflitos que mobilizam fortes sentimentos para, possivelmente, conseguir (re)organizar seu mundo interior e diminuir o peso das angústias do existir.

– Claudia Blanc – Orientadora Educacional do Ensino Médio.